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Mostrando postagens de fevereiro, 2023

Merinometocracia

Merinometocracia Isaque Moreira Miranda Nunca vi tanto sobrenome,  nunca vi tanto renome.  Poliglotas: Inglês, espanhol, polonês!  É, eles tiveram a sua vez.  Agora lideram, como autoridades;  Agora ocupam cargos,  em distintas universidades e em chefias de cidades.  Mas eu já vi esses sobrenomes,  pertenciam também a pessoas de renome .  Figuras da historia Prestigiadas:  advogados gerais, donos industriais, autruistas.  Tiveram, e ah, como tiveram a sua vez!  Agora passam o bastão, aos seus filhos  que com seu douto sobrenome traçarão os rumos da nação.  Pois eles estudaram em boas universidades  E frequentaram a alta sociedade, em outro país, outra cidade.  E liderarão em outras municipalidades com seu conhecimento adquirido  em outras tantas sociedades.  Falarão sobre escolas de pensamento, por que não?  Em suas decisões.  E também dirão sobre os seus méritos,  em seus discursos ...

Cais

Cais   Isaque Moreira Miranda   Não se contenta o meu coração com a paz que impera no cais. Meu ardente desejo, jovem, pela vida, sempre clama por mais.   Não, Eu não quero me encorar nas águas do cais, nessas águas conhecidas. Enquanto existe tanta vida para além de onde toca a maresia; e o tempo, da vida, subtrai dela os dias.   Velejei pelos sete mares E, em terras desconhecidas, descobri diferentes olhares. Em cada um deles, me vi milhares: poeta, engenheiro, artista, literato. Vi um ser de diferentes faces Todas elas distintas e mutáveis Como as águas que correm nos infinitos mares.   Não, eu não quero a calmaria que habita o cais. Não quero me ancorar e criar raízes O meu coração sempre clama por mais! Quero navegar Para além das águas locais, pois, essa vida pacata já não sei viver mais.

O Juiz e o Carrasco

  O juiz e o carrasco  Isaque Moreira Miranda Envolto pelas trevas noturnas, pelo seu edredom e pelo quente corpo de sua esposa, não encontrava paz o magistrado. Cuja mente inquieta percorria os segredos de seus pensamentos. Em seu quarto, mobiliado de madeira antiga, competia o som do relógio contra o domínio do silêncio. A luz branca do luar penetrava as janelas e desenhava sombrosas figuras   que destorciam os objetos. Uma inumana voz, vinda das tortuosas sombras, ganhava volume rompendo o silêncio da noite em sombria exclamação: - Assassino! Assassino! Murmurava em coro. -Assassino! Assassino! Insistia a sinistra e pungente voz que só ele parecia escutar. Desconcertado e incrédulo, opta ele por tomar um gole da bebida que repousava na pequena mesa localizada ao lado de sua cama. Já mais calmo, adormeceu e pôs-se a sonhar. Um sonho lúcido, palpável e familiar. Era uma tarde de quarta-feira, estava no tribunal, em mais...

De Tinta e de Sangue

De Tinta e de Sangue Isaque Moreira Miranda Assentado em seu alvo gabinete, mergulha o sóbrio legislador em seu tinteiro negro, cheio, a ponta de sua caneta Montblanc. Preenchendo-a de tinta escura, espessa. Ávido de cumprir a sua função de riscar o papel e fazê-lo conhecer da dor. Implícita em palavras que carregam a esperança daqueles que derramaram o seu sangue por ideais, por liberdades, por direitos. Que perderam os seus entes, amigos, companheiros. Que conheceram a verdadeira dor. Levanta-se de sua mesa de mogno com o papel em mãos, projeto de lei outrora branco. Agora preenchido, não só de tinta negra mas também de sonhos, esperança e luta. (Poema Publicado na Revista VirtuaJus, Belo Horizonte, v. 5, n.9, p. 374-406, 2º sem. 2020 - ISSN 1678-3425)