Cais

Cais

 

Isaque Moreira Miranda

 

Não se contenta o meu coração

com a paz que impera no cais.

Meu ardente desejo, jovem,

pela vida,

sempre clama por mais.

 

Não,

Eu não quero me encorar

nas águas do cais,

nessas águas conhecidas.

Enquanto existe tanta vida

para além de onde toca a maresia;

e o tempo, da vida,

subtrai dela os dias.

 

Velejei pelos sete mares

E, em terras desconhecidas,

descobri diferentes olhares.

Em cada um deles, me vi milhares:

poeta, engenheiro, artista, literato.

Vi um ser de diferentes faces

Todas elas distintas e mutáveis

Como as águas que correm

nos infinitos mares.

 

Não,

eu não quero a calmaria que habita o cais.

Não quero me ancorar

e criar raízes

O meu coração sempre clama por mais!

Quero navegar

Para além das águas locais,

pois, essa vida pacata

já não sei viver mais.

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