De Tinta e de Sangue

De Tinta e de Sangue


Isaque Moreira Miranda

Assentado em seu alvo gabinete,

mergulha o sóbrio legislador

em seu tinteiro negro,

cheio,

a ponta de sua caneta Montblanc.

Preenchendo-a de tinta

escura,

espessa.

Ávido de cumprir a sua função

de riscar o papel

e fazê-lo conhecer da dor.

Implícita em palavras que carregam a esperança

daqueles que derramaram o seu sangue

por ideais,

por liberdades,

por direitos.

Que perderam os seus entes, amigos,

companheiros.

Que conheceram a verdadeira dor.

Levanta-se de sua mesa de mogno

com o papel em mãos, projeto de lei

outrora branco.

Agora preenchido, não só de tinta negra

mas também de sonhos,

esperança

e luta.


(Poema Publicado na Revista VirtuaJus, Belo Horizonte, v. 5, n.9, p. 374-406, 2º sem. 2020 - ISSN 1678-3425)

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