De Tinta e de Sangue
De Tinta e de Sangue
Assentado em seu alvo gabinete,
mergulha o sóbrio legislador
em seu tinteiro negro,
cheio,
a ponta de sua caneta Montblanc.
Preenchendo-a de tinta
escura,
espessa.
Ávido de cumprir a sua função
de riscar o papel
e fazê-lo conhecer da dor.
Implícita em palavras que carregam a esperança
daqueles que derramaram o seu sangue
por ideais,
por liberdades,
por direitos.
Que perderam os seus entes, amigos,
companheiros.
Que conheceram a verdadeira dor.
Levanta-se de sua mesa de mogno
com o papel em mãos, projeto de lei
outrora branco.
Agora preenchido, não só de tinta negra
mas também de sonhos,
esperança
e luta.
(Poema Publicado na Revista VirtuaJus, Belo Horizonte, v. 5, n.9, p. 374-406, 2º sem. 2020 - ISSN 1678-3425)
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